Terça-feira, Novembro 24, 2009

16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres



Trata-se de uma campanha anual, porque a violência contra as mulheres é algo tão corrente (*exemplo: Evangélico espanca filha adulta (e esposa) porque ela fazia chapinha no cabelo*), tão absurdo (*vide o caso UNIBAN*) e tão aceito socialmente, que é necessário repetir e repetir que nós não somos cidadas de segunda classe e que não podemos aceitar ou nos calar. Na página da Campanha é possível obter informações atualizadas. Ela começou oficialmente no dia 20 de novembro até o dia 10 de dezembro. O video aí em cima está ligado à campanha. É apra chocar mesmo, porque esse tipo de coisa não pode continuar acontecendo.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Concurso "Tecnologias Sim"



O concurso "Tecnologia Sim" premiará grupos de adolescentes (12 a 18 anos) que produzam vídeos sobre soluções de como navegar com segurança na Internet. Não é preciso um professor responsável, mas um adulto pode auxiliar o grupo como 'facilitador". Segundo a página do concurso, é possível inscrever mais de um vídeo por grupo e cada equipe deve ter um mínimo de 2 e um máximo de 4 pessoas. Acho uma idéia ótima. As inscrições são até o dia 15 de novembro. A página oficial do evento é esta aqui.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Moedas perdidas revelam queda populacional na Roma antiga



A matéria abaixo foi publicada na Folha de São Paulo de hoje. Como é interessante, e está aberta somente para assinantes, decidi postar aqui.

Moedas perdidas revelam queda populacional na Roma antiga
Tesouro era enterrado durante guerras, o que dá pista sobre despovoamento


RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL


Estudando a distribuição, ao longo do tempo, de moedas romanas escondidas durante períodos de conflito interno, dois pesquisadores nos EUA concluíram que houve um declínio da população da Itália durante o século 1º a.C., resolvendo uma questão há muito debatida.

"Em tempos de violência as pessoas tendem a esconder seus objetos de valor, que são depois recuperados – a menos que seus donos tenham morrido ou sido expulsos. Assim, a distribuição temporal de moedas escondidas é uma excelente pista da intensidade de guerra interna", escreveram os autores em artigo na revista científica americana "PNAS".

Os dois são de áreas diferentes do conhecimento e, no caso, complementares. Peter Turchin é do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade de Connecticut e Walter Scheidel é do Departamento de Estudos Clássicos da Universidade Stanford.

"Os tesouros escondidos tinham desde três a quatro moedas até algumas dezenas de milhares. Cem denários equivaliam à metade do salário anual de um soldado", disse Turchin à Folha. O "denarius" (plural: "denarii") era uma moeda de prata com cerca de quatro gramas de peso. A palavra está na origem da palavra "dinheiro".

Perdendo o censo

Os romanos, tanto no período republicano (do século 5º a.C ao século 1º a. C.) quanto no Império que o seguiu, realizavam censos de seus cidadãos, necessários para fins de taxação, recrutamento militar e direito de voto em assembléias. Contavam-se apenas os homens adultos. Os números registrados passaram de cerca de 200 mil para perto de 400 mil entre a metade do século 3º a.C. e o final do século 2º a.C.

Com a extensão da cidadania romana ao resto da Itália depois da chamada Guerra Social (91-89 a.C. ), os números praticamente triplicaram. Três censos feitos pelo imperador Augusto em 28 a.C., 8 a.C. e 14 d.C. mostram um número de 4 milhões passando para 5 milhões. Mesmo levando em conta a extensão da cidadania, os números não batem. Falta explicar como a população de romanos teria aumentado até três vezes no século anterior ao primeiro censo de Augusto. É que todo esse período foi marcado por três grandes guerras civis, sem falar em conflitos menores, doenças e fome.

A solução de uma corrente de pesquisadores foi concluir que os censos de Augusto passaram a incluir também mulheres e menores. É a chamada hipótese de "contagem baixa". Mas as fontes históricas não fazem menção a contagens diferentes. Outra corrente, a da "contagem alta", assume que não houve mudança na identidade das pessoas recenseadas. Ela se baseia na crença de que os censos republicanos se tornaram cada vez mais imprecisos, e portanto exagerariam a escala de aumento populacional. O problema é que isso resultaria em uma população total que iria de 15 milhões a 20 milhões. Seria alta demais para a época romana, pois só na metade do século 19 é que a Itália atingiu essa cifra.

O modelo criado pelos dois pesquisadores, adicionando os tesouros de moedas como uma variável ao longo do tempo, demonstrou ser mais compatível com a "contagem baixa".

Domingo, Outubro 04, 2009

Nome de um índio guarani agora faz parte do Livro de Aço dos Heróis Nacionais



Nada mais justo, afinal, Sepé Tiraju representa todas as melhores virtudes quando se trata de resistência à tirania, ainda que da derrota dos índios tenha dependido a formação do Rio Grande do Sul. Só que entre os 11, agora, heróis da pátria não há uma mulher sequer. Será que não há uma que possa ser contada entre os heróis ou não há interesse em valorizar a contribuição das mulheres para a construção da nação, da mesma maneira que índios e negros são igualmente minoria entre os "heróis" da pátria? Segue a notícia do Correio Braziliense.

Nome de um índio guarani agora faz parte do Livro de Aço dos Heróis Nacionais

Elisa Tecles

O nome de um índio guarani ocupará uma página no Livro de Aço dos Heróis Nacionais, exposto no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes. Sepé Tiaraju é o 11º herói a entrar na publicação que homenageia brasileiros marcantes na história do país. Ele viveu no século 18 e lutou pela população guarani no Rio Grande do Sul. A Lei nº 12.032, publicada no último dia 22, determina a inscrição de Tiaraju.

José Tiaraju era mais conhecido por Sepé, que, na língua guarani, significa facho de luz. Ele morava em uma região do Rio Grande do Sul pertencente à Espanha, quando foi assinado o Tratado de Madri, em 1750. No documento, os reis de Portugal e da Espanha combinavam uma troca de terrenos. Os guaranis teriam que abandonar as cidades para cumprir o acordo. Tiaraju liderou os guaranis na oposição ao tratado — a Guerra Guaranítica começou em 1754 e seguiu até 1756. No último ano da batalha, o líder indígena e mais 1,5 mil índios lutaram contra mais de 3 mil homens. Diários de guerra do exército português contam que ele foi abatido com uma lança por um português, depois levou um tiro de um espanhol. A coragem de Tiaraju o fez conhecido por todo o Rio Grande do Sul.

Sepé Tiaraju é o primeiro índio a entrar no Livro de Aço. “Estamos em um momento de sensibilidade diferente para esse tipo de escolha. A lista já tinha o Zumbi, que era negro, agora tem um indígena. Vivemos uma aceitação diferente dessas referências na cultura”, comentou o coordenador-geral de Fomento à Identidade e à Diversidade do Ministério da Cultura, Marcelo Manzatti. Segundo ele, Tiaraju é cultuado há décadas pelos guaranis. “Mas isso fica na boca do povo e nunca passa para lugares consagrados”, completou.

Cerca de 100 mil índios fazem parte da população guarani na América do Sul — é o maior povo indígena do país. Eles estão em sete estados brasileiros, do Espírito Santo até o Rio Grande do Sul. Faz parte da cultura guarani se deslocar — há grupos até no Uruguai. “É um dos povos que tem sua cultura mais preservada. Eles têm consciência disso e estão sempre praticando a cultura”, explicou Marcelo.

Qualquer cidadão brasileiro pode indicar um nome para receber a homenagem no Livro de Aço. A proposta deve ser aprovada pelo Congresso Nacional para virar realidade. O primeiro passo é apresentar a ideia a um deputado ou senador, que têm autonomia para criar projetos de lei. O parlamentar escreve o projeto e o envia para a Coordenação de Comissões Permanentes. O projeto segue para a Comissão de Educação e Cultura, depois passa para a Comissão de Constituição e Justiça. No plenário, os parlamentares votam pela criação ou não da lei.

O último passo é a sanção do presidente. Se ele aprovar a proposta, a nova lei é publicada no Diário Oficial. “A partir daí, aquele cidadão pode ser considerado um herói nacional. A outra questão é um grupo de pessoas, um órgão do governo ou uma organização não governamental tomar a frente e organizar a festividade”, explicou o professor do projeto Visitando a praça, conhecendo Brasília, Ernesto Ilísio de Oliveira. A iniciativa leva estudantes de colégios públicos e particulares para conhecer a Praça dos Três Poderes.

Gravação

Com a lei aprovada, basta marcar a solenidade de entronização do homenageado e encomendar a inscrição no livro. Nessa etapa, a página dedicada ao herói — cada figura ilustre tem uma página própria — é destacada e enviada a uma pessoa que grava as letras no aço. Atualmente, há 10 páginas preenchidas no livro e duas estão vazias. A inclusão de Sepé Tiaraju deixará uma só vaga para os heróis.

Ernesto ressalta que há outros cinco nomes na mesma situação do índio guarani: a lei foi sancionada, mas a inscrição ainda não foi feita. A lei que inclui Chico Mendes na lista está sancionada desde 2004, mas o registro nunca foi realizado. Na mesma situação, encontram-se os nomes de Frei Caneca, Marechal Osório, Ildefonso Pereira Correia (Barão de Cerro Azul) e Brigadeiro Sampaio. Duas leis em tramitação no Congresso Nacional defendem a inclusão de duas heroínas nacionais no livro: Anita Garibaldi e Maria Quitéria.

O Livro de Aço fica exposto no salão central do Panteão da Pátria, mas atualmente está fechado para visitas por conta de uma obra. O prédio passará por uma reforma completa e deve ficar pronto até o cinquentenário de Brasília, em 21 de abril de 2010. A reforma inclui a troca das peças de mármore que revestem a fachada, mudanças no piso e nas paredes, além de impermeabilização. Mais informações sobre o espaço no site da Secretaria de Cultura do DF: www.sc.df.gov.br.

Heróis da pátria

O Livro de Aço dos Heróis Nacionais fica no salão principal do Panteão e contém as inscrições dos nomes de 10 figuras ilustres do país. A Lei nº 11.597, de 2007, estabelece que o livro destina-se ao registro perpétuo de brasileiros (ou grupos de brasileiros) que tenham oferecido a vida à pátria, para sua defesa e construção, com dedicação e heroísmo. A homenagem só pode ser prestada depois de 50 anos da morte da pessoa — exceto em casos de mortos ou presumidamente mortos em campo de batalha. Os nomes atualmente presentes no livro são:

Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes (1746 — 1792)
O primeiro brasileiro a entrar no livro nasceu em Minas Gerais e foi mascate, dentista e pesquisou minerais. Em 1789, integrou um movimento contra os altos impostos cobrados na época. Naquele ano, Joaquim Silvério dos Reis revelou a existência do grupo ao governo mineiro e assim se deu a perseguição contra os inconfidentes. Tiradentes foi enforcado, teve o corpo esquartejado e a cabeça exposta em um poste.

Zumbi dos Palmares (1655 — 1695)
Nasceu no Quilombo dos Palmares, para onde iam negros que escapavam das senzalas. Ainda criança, ele foi entregue a um missionário, mas retornou ao quilombo na adolescência. Zumbi conquistou a liderança do quilombo e ficou ferido durante uma invasão no local. Foi traído e sofreu um atentado, mas resistiu. O herói foi morto no ano seguinte e teve a cabeça exposta em praça pública.

Marechal Deodoro da Fonseca (1827 — 1892)
Ingressou no exército aos 18 anos, na Arma de Artilharia. Lutou na Guerra do Paraguai e liderou a facção do exército favorável à abolição da escravatura. Depois de abandonar o comando, ele se mudou para o Rio de Janeiro. Em 15 de novembro de 1889, o marechal proclamou a República.

D. Pedro I (1798 — 1834)
Nascido em Lisboa, filho de D. João e D. Carlota Joaquina, D. Pedro I chegou ao Rio de Janeiro em 1808 com a família real. Assumiu o título de príncipe do Reino do Brasil em 1821, quando a família voltou para Portugal. Proclamou a Independência do país em 7 de setembro de 1822.

Duque de Caxias (1803 — 1880)
Como tenente do Batalhão do Imperador, ele participou de movimentos pela Independência. Foi nomeado comandante em chefe das forças do Império em operações contra o Paraguai. Ganhou o título de duque em 1870 — o primeiro do país. Em 1962, Duque de Caxias foi instituído patrono do Exército Brasileiro.

Plácido de Castro (1873 — 1908)
Plácido de Castro saiu de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, rumo ao Acre em 1899. Ele liderou os brasileiros instalados no território para expulsar os bolivianos que ali viviam. Em 1903, foi proclamada a autonomia do Acre e Castro assumiu o governo provisório do estado.

Almirante Tamandaré 1807 — 1897)
Joaquim Marques Lisboa, o Almirante Tamandaré, entrou no livro por ter feito parte da campanha da Independência do Brasil. Ele participou da repressão aos revolucionários, esteve na Confederação do Equador e lutou na Guerra do Paraguai. O almirante é patrono da Marinha Brasileira e a data de seu nascimento, 13 de dezembro, virou o Dia do Marinheiro.

Almirante Barroso (1804 — 1882)
Francisco Manoel Barroso da Silva era natural de Portugal, mas veio ao Brasil ainda criança acompanhando a comitiva da família real portuguesa. Ele entrou na Academia da Marinha, no Rio de Janeiro, e comandou a Força Naval Brasileira na Batalha Naval do Riachuelo.

Alberto Santos Dumont (1873 — 1932)
O nome de Santos Dumont entrou no livro em 2006, ano de comemoração do centenário do voo do 14-bis, avião idealizado pelo mineiro. Ele é patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira.

José Bonifácio de Andrada e Silva (1763 — 1838)
Estudou e trabalhou em Portugal até 1819, quando voltou ao Brasil e iniciou a carreira pública. Foi um dos principais articuladores da Independência do Brasil, conquistada em 7 de setembro de 1822.

Sábado, Setembro 19, 2009

Barroco Mineiro no Globo Universidade



Perdi a primeira parte, mas as duas que gravei estão legais. Os melhores programas da TV aberta sempre passam nos piores horários, claro. :) Segue a descrição do site:
Os prédios antigos e ruas de paralelepípedo de São João del Rei são testemunhas de acontecimentos importantes na história do Brasil. É neste cenário que André acompanha uma aula de História ao ar livre, guiado pela professora Letícia Martins de Andrade, responsável por disciplinas e pesquisas relacionadas à História da Arte desenvolvidas na UFSJ. Ela e seus alunos levam o repórter numa visita a três pontos de grande importância na arte sacra da cidade: a Igreja de São Francisco de Assis, a Matriz de Nossa Senhora do Pilar e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. A igreja de São Francisco de Assis começou a ser construída em 1774 e é um exemplar do período conhecido como barroco mineiro embora o termo seja controvertido. Já a atual Matriz do Pilar foi construída em 1721 e passou por diversas reformas. A matriz pode ser caracterizada mais para um estilo barroco, pela presença da grande quantidade de ouro que nós temos aqui. É uma das igrejas que mais têm ouro nos retábulos, são centenas de quilos. Esse peso maior do ouro caracteriza o barroco, explica a professora Letícia. Foram os escravos que construíram a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e todas as outras da cidade, mas só ali lhes era permitido participar das celebrações religiosas oficiais. O altar não tem ostentação, o trabalho é cuidadoso, mas sem luxo. A igreja mais antiga da cidade é simples, se comparada com as outras. A estética é muito importante, mas nós temos que reconhecer esses monumentos como documentos históricos. Esta irmandade relata um pouco da história do negro em São João del Rei, que teve uma participação ativa e constante no processo de formação dessa urbanidade e dessa cultura. (...) O negro se insere nessa fé católica através desta irmandade, conta Priscilla Dantas Delphino, aluna de História da UFSJ.

Domingo, Agosto 16, 2009

Livrai-nos de todos os males…



O Correio Braziliense de hoje trouxe uma matéria sobre a gripe suína (H1N1) e um histórico interessante sobre as meiores pestes da História. Acredito que seja interessante para o nosso blog e trouxe para cá. Também deixo a sugestão do livro A História da Humanidade Contada pelos Vírus. Segue a matéria.

Peste de Atenas
Foi a primeira grande epidemia sobre a qual há registros. Em 430 a.C. uma doença misteriosa vitimou cerca de 30% da população de Atenas, justamente no início da batalha do Peloponeso, quando a cidade estava em confronto com Esparta. O historiador Tucidides descreveu, à época, em seu livro A Guerra do Peloponeso, aquela estranha enfermidade da qual também foi vítima: “O calor intenso era tão pronunciado que o contato da roupa se tornava intolerável. Os doentes ficavam despidos e somente desejavam atirar-se na água fria. (…) A maior parte morria ao cabo de 7 a 9 dias consumida pelo fogo interior. Nos que ultrapassavam aquele termo, o mal descia aos intestinos, provocando ulcerações acompanhadas de diarreia rebelde que os levava à morte por debilidade”.

O confronto entre as duas cidades contribuiu para agravar a epidemia. “Todos os moradores estavam aglutinados, dentro dos muros de Atenas”, explica o infectologista Stefan Ujvari. Segundo o expert, a causa de tantas mortes permaneceu desconhecida até o início desta década, quando pesquisadores encontraram corpos enterrados na região e, ao estudar a polpa dos dentes dos cadáveres, encontraram DNA da febre tifoide.

Peste de Antonina
Surgiu no século 2 d.C. e matou quase um terço da população de Roma. Depois, espalhou-se pela Itália e também pela região da Gália, onde hoje é a França. Foi assim batizada em alusão ao Imperador Marco Aurélio, que estava no poder na época e era da linhagem dos antoninos. Ele mesmo acabou morto pela peste, no ano 180. Como relatou o médico grego Claudio Galeno, a doença causava “ardor inflamatório nos olhos, aversão a alimentos, sede inextinguível, inflamação da mucosa, vômitos de matérias biliosas, gangrenas parciais e fetidez do hálito” nos contaminados.

Também conhecida como Peste dos Antonios, durou cerca de 15 anos. No auge dela, quase 2 mil pessoas morriam por dia em Roma, sufocadas pelos sintomas da doença. Conforme os relatos de Galeno, contemporâneo da epidemia, os pacientes também alternavam delírios tranquilos e furiosos. O desfecho era “funesto do sétimo ao nono dia”.

Peste Negra
Foi a mais trágica epidemia da história da humanidade, considerada por muitos como um castigo divino. Recebeu esse nome devido às manchas escuras que apareciam na pele dos acamados. As condições sanitárias precárias do século 14 contribuíram para o flagelo sem paralelos até hoje. “Cerca de 30% a 40% da população da Europa foi dizimada e teve repercussão em todos os setores da atividade humana — econômico, agrário. Famílias inteiras desapareceram”, descreve o professor da Univesidade Federal de Goiás Joffre Rezende.

Também conhecida como Peste Bubônica, surgiu na Ásia e causou a morte de 5 milhões na Mongólia e no norte da China apenas no ano de 1334. Foi parar na Europa levada por navios mercantes. Os homens da época não conheciam vírus e bactérias e, sem saber que a doença era causada pela pulga dos ratos, fantasiavam teorias. Doentes foram jogados na fogueira. Famílias se isolaram nos campos. E até os judeus foram perseguidos como possíveis responsáveis pela moléstia. “Nenhuma prevenção foi válida, nem valeu a pena qualquer providência dos homens (…) Na virilha ou nas axilas, algumas inchações. Algumas destas cresciam como maçãs, outras como um ovo”, descreveu Giovanni Bocaccio, no livro Decamerão.

Varíola, sarampo e gripe
Com o avanço das navegações e a descoberta da América, batizada na época de “Novo Mundo”, os europeus importaram epidemias para os pré-colombianos. O sarampo, a gripe e a varíola mataram juntos, ao longo de quatro séculos, mais da metade da população que habitava o continente. A varíola acometeu inicialmente os povos do México, contaminados pelos espanhóis. Mas chegou também ao Brasil pelo litoral da Bahia, se espalhou pelo interior até chegar ao Rio da Prata, atingindo também os índios do Paraguai.

No início do século 20, a varíola foi o pano de fundo para resistência popular que ficou conhecida como “Revolta da Vacina”, ocorrida entre 10 e 16 de novembro de 1904, no Rio de Janeiro. Em meio aos problemas sanitários que a cidade tinha na época, o sanitarista Oswaldo Cruz convenceu os legisladores a aprovar uma lei que obrigava a vacinação contra a varíola. A população se rebelou e a cidade viveu um clima de guerra, com pelo menos 50 mortos e mais de cem feridos.

Gripe espanhola
Uma das mais importantes pandemias causadas por vírus até hoje, levou à morte entre 20 milhões e 40 milhões de pessoas — cerca de metade da população mundial — entre 1918 e 1919. Apesar do nome, especialistas ainda divergem sobre o local onde a gripe se originou. Os primeiros casos da doença foram identificados nos Estados Unidos em março de 1918. A doença chegou à Europa provavelmente em abril, levada por tropas francesas, britânicas e norte-americanas. No Brasil, a doença matou mais de 300 mil pessoas, entre elas o médium espírita Eurípedes Barsanulfo.

O vírus da gripe espanhola era o H1N1, que o homem transmitiu para porcos criados em fazendas na América do Norte, dando origem ao vírus da gripe suína. Os suínos são uma espécie de “tubos de ensaio para vírus”, capazes de misturar tipos que infectam outros animais e facilitar a mutação deles. A atual pandemia de gripe é causada pelo A H1N1, um novo tipo derivado do vírus que adoece os porcos. “Agora, o porco está devolvendo, totalmente misturado, o vírus da gripe espanhola que herdou do homem. Mas é um vírus completamente recombinado, que é transmitido apenas entre humanos”, explica o infectologista Stefan Ujvari.

Sábado, Junho 27, 2009

Michael Jackson: Vítima de uma sociedade racista



Não fiquei tocada com a morte da personagem Michael Jackson, não vou mentir para vocês. Fazia muito tempo que ele não produzia nada de fantástico em termos de música ou mesmo de positivo em termos sociais ou culturais. Jackson era no mínimo um doente – e é um dos casos raros em que considero a pedofilia um sintoma de doença – e não deveria ter vivido solto por aí e ainda com crianças sob sua tutela. Pois bem, mas em termos sociais ele era uma vítima da sociedade racista e obcecada pela imagem. Por conta disso, posto a matéria feita pelo Correio Braziliense. Queria muito que outros Jacksons – homens e mulheres negras – não tivessem que perseguir uma imagem ideal branca, da mesma forma que queria muito que as meninas e mulheres não tivessem que perseguir a magreza-anoréxica ou a juventude eterna. Segue a matéria:

A morte de um mito: Vítima de uma sociedade racista O filósofo Francisco Bosco vê no drama de Michael Jackson o preconceito enraizado dos EUA • Nahima Maciel

Michael Jackson morreu sem cor. Já não era negro. Vitiligo, tratamento para branquear ou cirurgia, pouco importa. A pele não era mais escura e isso passava muito longe do pó de arroz usado por Little Richard. Também não tinha mais o nariz grande e arredondado. Tampouco era branco, porque não nasceu assim. Sem saber (e provavelmente sem querer), o cantor fez do próprio corpo um panfleto que gritava as tensões raciais tão marcantes na cultura americana do século 20. O rosto deformado estampava o racismo profundamente enraizado numa sociedade incapaz de admitir problemas graves como oriundos de conflitos de raças. A constatação é do filósofo carioca Francisco Bosco, 32 anos, autor do ensaio O comedor de criancinhas, publicado em 2007 no livro Banalogias, conjunto de reflexões sobre a cultura contemporânea.

No texto, Bosco aponta Michael Jackson como o primeiro transracial da história, surgido de uma cultura em que o atenuamento das características negras no showbiz é instrumento de alívio de tensões sociais e caminho para o sucesso. Mariah Carey e Beyoncé alisam cabelos e pintam de louro. Diana Ross fez plástica no nariz. Heróis de desenhos animados japoneses têm grandes olhos redondos. São bonitos, mas somente se isto estiver intermediado por traços padronizados da beleza ocidental. Bosco defende que Michael Jackson foi além. Virou um mutante, ultrapassou a fronteira do confortável e aceitável, por isso acabou demonizado. Negou a própria raça e não aceitou completamente aquela que ditava o padrão ao transformar o corpo em algo disforme, desencaixado.


Bosco fala ainda em “hipocrisia do multiculturalismo”, um cenário no qual as diferenças raciais convivem, mas não se misturam. No máximo, se toleram. O discurso multicultural é típico da realidade norte-americana e pode ser visto como bandeira democrática e símbolo de tolerância, mas para o filósofo carioca está carregado de hipocrisia. Os tempos atuais, no entanto, apontam mudanças. Bosco acredita que na era Obama a figura de Michael Jackson não existiria. “A maior novidade histórica de Obama é mais radical do que ser um presidente negro. Ele é um presidente negro com discurso pós-racialista. Não surgiu sustentando um discurso racialista. A entrada em cena do Obama é um grande passo no sentido da amenização das tensões raciais que produziram o corpo do Michael Jackson”, diz, em entrevista ao Correio. Nesse sentido, a morte do cantor é quase simbólica. Leia ao lado a entrevista com o filósofo.


Três perguntas para Francisco Bosco


Michael já estava morto há muito tempo?

Não sei se estava morto por causa das transformações, porque elas começaram desde o Thriller. (Naquela época) ele não era o neguinho que surgiu aos 10 anos. A partir do Bad essas transformações adquiriram o caráter estranho. Até Thriller ele não se diferenciava fisicamente do padrão normal de atenuamento da beleza negra que a gente continua vendo hoje em dia. Mas a partir de Bad começou a ficar estranho. Até Dangerous, é uma pessoa relativamente normal. Depois, vira transracial, você não identifica nem com branco, nem com negro, não tem idade, sexo e vira esse troço que ninguém conseguia entender. Na verdade, quando ele estava no auge, essa questão existia com muita força. Não dá para dizer que as mutações fizeram com que decaísse artisticamente. Em geral esses artistas que vão muito alto muito subitamente não têm uma duração artística muito grande.


Quem matou Michael Jackson foi a cultura pop?
Não diria isso com todas as letras. Mas certamente o que fez com que fosse para esse caminho de cirurgias, mutações e reclusões foi a cultura pop norte-americana.


Por que o ódio a Michael e não a artistas como Beyoncé ou Mariah Carey, que também se embranquecem?
Mariah Carey e Beyoncé são a boa consciência norte-americana. São pretas que se embranquecem, mas não apagam as marcas ostensivamente negras e se aproximam do branco como se apagassem as tensões raciais norte-americanas. O corpo do Michael Jackson faz com que essas tensões gritem. Só ele fez isso. E sem saber, sem querer.

Crise do Irã



Sei que a mídia já perdeu o interesse, ainda mais depois da morte de Michael Jackson, mas acho que um dos acontecimentos do ano, ano dos 30 anos da Revolução Islâmica, foi esta eleição fraudada e a importância da internet e, especialmente, do Twitter para informar e gerar solidariedade. E eu não estou dizendo com isso que a oposição ganhou, mas que a eleição não pode ter sido a "lavada' que foi. Ascharges vieram do site Gordo Nerd, mas a origem real delas, eu não sei.


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